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21 de abr. de 2011

Amou-os até o fim - Missionários Claretianos


Quinta-feira, 21 de abril de 2011


CEIA DO SENHOR

Santo Anselmo, Bispo e Doutor da Igreja (Memória facultativa).

Outros Santos do Dia: Anastácio I de Antioquia (bispo), Anastácio, o Sinaíta (eremita), Arador, Fortunato, Félix, Sílvio e Vital (mártires de Alexandria), Beuno de Wales (abade), Conrado de Parzham (capuchinho), Cipriano da Bréscia (bispo), Fastrede de Cavamiez (abade), Frodulfo de Barjon (eremita), Simeão Barsaba (bispo de Selêucia-Ctésiphon) e Companheiros (mártires).

Primeira leitura: Êxodo 12, 1-8.11-14.
Ritual da ceia pascal.
Salmo responsorial: 115, 12-13.15-18.
O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.
Segunda leitura: 1 Coríntios 11, 23-26.
Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, proclamais a morte do Senhor.
Evangelho: João 13, 1-15.
Amou-os até o fim.

 

Jesus passou a última tarde de sua vida em Jerusalém junto com seus discípulos, provavelmente também em companhia das mulheres que haviam ido à cidade santa com ele. Foi essa a tarde de uma festa pascal? Parece supérflua a pergunta. Contudo existem razões para estabelecê-la. E da relação que se estabeleçe entre o ambiente pascal e a ceia de Jesus depende em grande parte a interpretação do acontecimento histórico  da morte e ressurreição do Senhor.

Se aceitamos que Jesus e seus discípulos se reuniram para celebrar uma ceia pascal, então convém que recordemos os pormenores desta celebração.

Em Números 9,13 pode-se entrever a seriedade para um judeu celebrar a festa: não celebrar a festa é como não pertencer ao povo. Segundo Ex 12,3, a festa devia ser uma festa familiar.

A imolação e o oferecimento do cordeiro, que deveriam ser realizados por alguns dos membros da família em representação da comunidade, deveriam ter lugar no átrio dos sacerdotes "entre as tardes" isto é, no tempo que precedia o começo do por do sol (cf Ex 12,6). O Haggadá pascal orientava a celebração em sentido da memória da libertação da escravidão do Egito (Ex 12,26s). Comer carne de cordeiro, beber vinho, partilhar o pão sem fermento; as ervas amargas lembravam a miséria vivida no Egito; tudo isto constituía o ritual que estava acompanhando de bênçãos e da recitação dos salmos de Hallel.


Na ceia festiva, o ambiente era impregnado pela lembrança alegre e confiante da libertação, que teve sempre uma eficácia esperançadora em épocas difíceis. Nessas circunstancias Jesus tinha consciência de sua morte e falou dela. Os textos de Mc 14,25 e Lc 22,18 constituem uma profecia da sua morte.

Jesus expressa ante a probabilidade de sua morte, a confiança e a confirmação de sua mensagem do Reino. Não é necessário assinalar que nesta sentença Jesus tivesse em conta outras intenções. É suficiente fundamentar e pensar, ao ler os textos, a intenção escatológica de Jesus, estreitamente relaciona com a convicção da possibilidade de sua morte.

Nessas circunstancias, Jesus realizou uma verdadeira interpretação teológica de sua própria morte, em um sentido salvífico, indissoluvelmente ligada ao seu projeto do Reino de Deus. Nesse contexto nota-se uma estreita relação entre a morte de Jesus, assim interpretada, e os elementos da ceia: o pão e o cálice de vinho.

Comer o pão e beber o vinho constituem algo completamente compreensível no contexto de uma ceia judaica, porém agora esta ação se relaciona com a interpretação da morte de Jesus, dada por ele mesmo. Jesus deve ter dito outras coisas e deve ter partilhado outros sentimentos com seus discípulos.

Porém, a tradição conservou seus sentimentos ligados principalmente à ação do pão e do vinho. Quanto à ultima, não sabemos com segurança se na ceia pascal, nos tempos de Jesus, se utilizava ou não apenas uma taca, em um momento determinado, pois todos tinham suas próprias taças. Em todo caso, a tradição cristã lembra a utilização de um único cálice como característica da ceia do Senhor (Cf 1Cor 10,16).

As palavras de Jesus, conservadas para compreender o sentido do pão e do cálice partilhados, implicam, pois, uma interpretação salvífica de sua morte, tanto no sentido da expiação e da representação (morrer por, para o perdão dos pecados) como o sentido de uma nova aliança.

Jesus, que interpretou assim sua morte e a relacionou intrinsecamente com os dons da ceia, deixou à comunidade de seus discípulos a possibilidade de viver sempre a realidade de uma nova aliança com o Deus salvador, no sentido do Reino definitivo por ele anunciado. A relação entre aliança e Reino já fazia parte da tradição, porém na ação de Jesus ela adquiriu uma importância transcendental e original para os seus seguidores.


Fazei isto em minha memória:
Este mandamento do Senhor é verdadeiramente sagrado para os seguidores de Jesus. A experiência comunitária, vivida originalmente pelos discípulos, se converte em algo possível em todos os tempos para os cristãos. Mergulhamos aqui no destino histórico de Jesus, que é a própria historia de Deus, seu reino, manifestado definitivamente no gesto supremo do amor.

Participar assim no destino do Mestre significa realizar, de maneira insuperável, a fraternidade humana. A ceia do Senhor é nos traz a possibilidade dos cristãos assumirem o que os une mais profundamente: a própria vida do Mestre, a historia do Filho de Deus Pai, na qual participamos todos como filhos também e como irmãos uns dos outros.

E a ceia Pascal cristã foi originariamente uma páscoa judaica. Para os cristãos é o modelo da celebração eucarística, o modelo da celebração do mistério da Páscoa. Cada um de nós somos protagonistas da ceia do Senhor. E quando celebramos hoje uma refeição fraterna, temos que realizá-la com a mentalidade de Jesus, um alimento que antecipa o reinado de Deus, uma comunidade disposta ao serviço que a fortalece e enriquece, mas que, acima de tudo, seja uma comunidade de todos os homens unidos pelo laço mais forte: o amor.


Primeira Leitura - Êxodo 12,1-8.11-14
: Da escravidão à liberdade


A Páscoa sempre foi uma festa de libertação, cujas origens remontam a costumes anteriores à Páscoa do povo judeu. Efetivamente, os pastores nômades antes de empreender sua viagem em busca de melhores pastagens para os seus rebanhos em noite de lua cheia mais próxima ao equinócio de primavera, sacrificavam um cordeiro ou um cabrito nascido no ano anterior, macho, sem defeito; para não perder a energia vital, ao comê-lo não podiam quebrar nenhum osso.

Além disso, como estavam em uma região desértica, sem água, o animal não era cozido em água, mas assado ao fogo. Com seu sangue aspergiam a soleira das tendas de campanha para evitar a entrada dos espíritos malignos, portadores de enfermidades e desgraças. Como deviam partir antes da saída do sol, comiam às pressas, calçados com sandálias, o bastão na mão e em sinal de prontidão. O sacrifício e o alimento tinham como finalidade assegurar a proteção de seus deuses no caminho que iam empreender, onde podiam encontrar salteadores e outros perigos.

Estes mesmos ritos foram adotados pelos israelitas quando celebraram a Páscoa; porém para eles muda o significado. Com o sangue do cordeiro marcam suas portas para evitar a entrada do anjo exterminador; o cordeiro não somente era imolado, mas também servia de alimento; dessa maneira os comensais se comprometiam ainda mais com o mistério da festa. A Páscoa entre os judeus, estava unida indissoluvelmente à libertação do Egito e se re-atualizava na liturgia, isto é, se fazia presente como se eles fossem os protagonistas; desta maneira o passado se manteve vivo e os projetava para o futuro.


A menção do sangue nos introduz em cheio na sacramentalidade do AT e por ela se opera a continuidade entre a Páscoa judaica e a Páscoa cristã. Páscoa é a grande festa da libertação da servidão e da morte, onde o sangue do cordeiro exerce uma função redentora; mais ainda, como o Egito no AT é a terra do pecado, a saída do Egito é uma libertação da escravidão material e a do pecado.

Na bíblia a salvação acontece à medida em que se desenrola a revelação como uma salvação do pecado. São Pedro, desenvolvendo esta idéia, nos diz: vós fostes resgatados de vossa maneira vã de viver segundo a tradição de nossos pais, não com prata e ouro, mas com o sangue de Cristo, como cordeiro sem defeito e sem mancha (1Pe. 1,18b-19).

Salmo 115 (116): Senhor, eu sou teu servo, filho de tua escrava, porém quebraste minhas cadeias.

Este salmo é um cântico de ação de graças e de confiança no Senhor que libertou o povo das cadeias da escravidão. Pode ser lido em três níveis: como canto do povo de Israel, já vivendo na liberdade, sabe que o Senhor o libertou da escravidão do Egito. Também é o canto do Cristo ressuscitado, que sabe que seu Pai o libertou das cadeias da morte. Porém, também é o canto de toda a Igreja Cristã, libertada das cadeias do pecado pela Páscoa de seu Salvador.

A resposta daquele que ora e a libertação com o voto de louvor e sacrifício de ação de graças, parece privilegiar a alegria e o agradecimento do povo cristão libertado definitivamente do pecado, da morte e da lei, que celebra esta reconciliação na eucaristia na presença do seu Senhor morto e ressuscitado por ele.

Segunda leitura: 1Cor 11,23-26: Cada vez que comem deste pão e bebem deste vinho, proclamam a morte do Senhor.

Encontramos aqui o testemunho mais antigo da celebração eucarística. Paulo transmite a tradição que ele recebeu dos discípulos de Jesus. Mostra, ao mesmo tempo, que a eucaristia não é uma celebração que lembra um fato passado, mas que está aberta ao futuro, a todos os tempos, porque nela anunciamos a morte do Senhor, a obra salvífica de Deus, oferecida a todos, em todas as épocas.


Para os cristãos a Páscoa judaica tem um novo sentido; como o texto do êxodo narrava a celebração litúrgica judaica, Paulo mostra a celebração litúrgica cristã como uma nova páscoa, como anúncio da libertação no sinal do sangue que agora se transformou em pão e vinho. É o mesmo rito da aliança e da reconciliação, com paralelos que permitem compreender a celebração cristã a partir do sentido da Páscoa judaica:

Anoite da saída do Egito
a noite da Paixão
O cordeiro do êxodo
o cordeiro pascal
Memorial das provas do deserto
memorial do sacrifício de Jesus.

Paulo dirige sua atenção sobretudo à assembléia e mostra como uma celebração indigna da Eucaristia desemboca no menosprezo do Corpo místico de Cristo, constituído pela assembléia e como esta é o símbolo da reunião de todos os homens e mulheres no reino e no Corpo de Cristo. Uma comunidade dividida pelo ódio e pelo desprezo aos demais não pode dar testemunho dessa união, é antes um escândalo.


Evangelho – Jo 13,1-15: Compreendeis o que vos fiz.

Jesus, antes de partir para a casa do Pai, quer que seus discípulos compreendam, com um gesto simbólico, o que significa sua missão: lavar os pés dos discípulos é a expressão do compromisso pelo serviço à comunidade da qual era encarregado.

É muito significativo que em lugar da ceia, João, sem dizer uma palavra sobre a ceia, descreve o sinal mais significativo do amor e do serviço porque quando havia chegado a hora, no momento em que sua missão termina, Jesus quer demonstrar seu compromisso definitivo com a humanidade por meio do serviço.

O lava-pés era um gesto que na antiguidade mostrava acolhida e hospitalidade; ordinariamente quem o fazia era um escravo ou uma mulher, a esposa do marido, os filhos ou as filhas ao pai como um gesto de deferência ou de consideração excepcional para com os hospedes. Jesus rompe com a tradição: não pede ajuda.

Ele que preside a ceia e de dentro dela, realiza o lava-pés, demonstrando que não há ninguém que seja o primeiro; na comunidade de discípulos; todos se igualam na liberdade como fruto do amor; e o Senhor se converte em servidor, porque a verdadeira grandeza não está na honra humana mas no amor que transforma as pessoas na presença de Deus no mundo.

O gesto pode ser compreendido na teologia da encarnação do próprio João e também no sentido da mesma em Paulo
(cfr. Flp 2,5-8). Pedro não se preocupa em apresentar uma teologia própria de João, visto que não é difícil encontrar na outra tradição evangélica, a dos sinóticos, a mesma inspiração naturalmente não dramatizada: por exemplo em Lc 22,27, no contexto da ceia, são transmitidas palavras muito significativas de Jesus no mesmo sentido: Eu estou no meio de vós como aquele que serve.

Por outro lado, o mesmo relato indica que o lava-pés em meio a uma sociedade violenta e cruel. Por outra parte, o mesmo relato indica que o lava-pés é um meio pelo qual os discípulos "têm parte com" seu Mestre (Terás parte comigo: 13,8), o que nos faz compreender que dito gesto pertence ao corpo geral dos preceitos destinados discípulos tem parte com seu Mestre, o que nos faz compreender como comunidade cristã, ainda que não seja difícil referi-lo.

Estava ceando com seus discípulos, levantou-se da mesa, deixou o manto, e tomando um pano, atou-o à cintura. A ceia é descrita com minúcias, pois cada detalhe revela um verdadeiro sentido da ação que Jesus vai executar: o verdadeiro amor se traduz em ações concretas de serviço. Quando se diz que Jesus deixou o manto expressa como deixa de lado sua vida, para doá-la aos seus amigos. Em seguida, toma um pano como o que usavam os serventes que é, portanto, símbolo do serviço.

Jesus nega a validade dos valores que o mundo criou; ao inclinar-se diante dos discípulos, Jesus, Deus entre os homens, destrói a imagem de Deus criada pela religião: Deus recupera seu verdadeiro rosto através do serviço. Deus não age como um soberano celeste, mas como um servidor do homem porque o Pai não exerce domínio, mas comunica vida e amor; não legitima nenhum poder nem domínio.

O que Deus faz pelo homem é levantá-lo ao seu próprio nível. Jesus é o Senhor, porém ao lavar os pés aos seus fazendo-se seu servidor, oferece também a eles a categoria de senhores. Seu serviço, portanto, elimina toda disparidade, pois na comunidade que ele funda cada um é livre; todos são senhores por serem todos servidores e o amor produz liberdade.

Seus discípulos terão a mesma missão: criar uma comunidade de homes e mulheres iguais e livres porque o poder que se sobrepõe ao homem, sobrepõe-se também a Deus. Jesus destrói toda pretensão de poder, já que a grandeza e o poderio humanos não são valores aos quais ele renuncia por humildade, mas uma injustiça que não pode ser aceita.

Pedro rejeita a idéia de Jesus lavar os pés, o que indica que ele não tinha entendido a ação de Jesus. Ele pensa em um Messias glorioso, cheio de poder e de riqueza e não admite a grandeza de seu amor e sua medida: assim como eu fiz, fazei-o vós também. A medida de nosso amor aos demais é a medida com que Jesus nos amou, e isto que parece impossível, pode se tornar realidade se nos identificamos com ele. Deveríamos poder dizer com Paulo: Não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim (Gal 2,20).

Este relato de João nos transmite uma mensagem verdadeiramente central da existência de Jesus Cristo: a vida do Mestre foi um testemunho constante da inversão de valores que é preciso estabelecer para poder fazer parte do Reino de Deus. Não é o poder, nem a dignidade acidental, nem nenhum outro motivo de dominação o que constitui o segredo da verdadeira sabedoria de Deus.

O grande valor que enobrece a pessoa é o de ter a disposição permanente de servir. Jesus o proclamou, segundo João, por meio de uma parábola de força incomparável: o Mestre se converteu em escravo. O verdadeiro sentido profundo da existência do Mestre é o de ser servidor. Uma glória assim se converte no segredo para edificar o mundo, cuja razão de ser não nos pode ser revelada senão pelo próprio Deus.

Não vamos celebrar a cerimônia do lava-pés simplesmente para recordar um episodio interessante e comovedor da vida de Jesus, mas para reconhecer em uma expressão sacramental a única maneira possível de ser discípulos do Mestre.

Jesus também nos ensinou que há mais alegria em dar do que em receber; Rabindranath Tagore expressou assim essa realidade: "Dormi e sonhava que a vida era alegria. Acordei e vi que a vida era serviço. Servi e vi que o serviço era alegria!

Também hoje é a festa dos ministros da Igreja. E o dia de lembrar o espírito do Senhor no serviço. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Uma igreja pobre, que serve, estará sempre próxima dos que aspiram a uma libertação material e espiritual, do que empreenderam o caminho do êxodo.

Missionários Claretianos

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